Jan Amos Komenský, nome original de Comenius, nasceu em 28 de março de 1592, na cidade de Uherský Brod (ou Nivnitz), na Moravia, região da Europa central pertencente ao antigo Reino da Boêmia (atual República Tcheca).
Comenius foi o criador da
Didática Moderna e um dos maiores educadores do século XVII; já no século 17,
ele concebeu uma teoria humanista e espiritualista da formação do homem que
resultou em propostas pedagógicas hoje consagradas ou tidas como muito
avançadas.
Entre essas idéias estavam : o
respeito ao estágio de desenvolvimento da criança no processo de aprendizagem,
a construção do conhecimento através da experiência, da observação e da ação e
uma educação sem punição mas com diálogo, exemplo e ambiente adequado.
Comenius pregava ainda a
necessidade da interdisciplinaridade, da afetividade do educador e de um
ambiente escolar arejado, bonito, com espaço livre e ecológico.
Estão ainda entre as ações
propostas pelo educador checo: coerência de propósitos educacionais entre
família e escola, desenvolvimento do raciocínio lógico e do espírito científico
e a formação do homem religioso, social, político, racional, afetivo e moral.
Desenvolve então suas principais
idéias sobre educação e aprofunda um dos grandes problemas epistemológicos do
seu tempo – que era o do método.
Escreveu a Janua Linguarum
Reserata e a Didactica Magna (1633-38), sempre buscando seus objetivos
fundamentais "de uma reforma radical do conhecimento humano e da
educação" – unidos e sistematizados numa ciência universal.
Todos os pesquisadores são
unânimes em apontar a Didacta Magna ou A Grande Didacta, como sendo sua
obra-prima e sua maior contribuição para o pensamento educacional.
Comenius escreveu ainda O
Labirinto do Mundo (1623),
Didactica checa (1627),
Guia da Escola Materna (1630),
Porta Aberta das Línguas (1631),
Didacta Magna (versão latina da
Didactica checa) (1631),
Novíssimo Método das Línguas
(1647),
O Mundo Ilustrado (1651),
Opera didactica omnia ab anno
1627 ad 1657 (1657),
Consulta Universal Sobre o
Melhoramento dos Négocios Humanos (1657),
O Anjo da Paz (1667) e A Única
Coisa Necessária (1668) entre outros.
Continuou a ter uma vida bastante
atribulada e movimentada, produzindo cerca de 200 títulos, vindo a morrer no
dia 15 de novembro de 1670, em Amesterdam.
Ensinar tudo a todos
Comenius, uma voz quase solitária
em seu tempo, defendia a escola como o "locus" fundamental da
educação do homem, sintetizando seus ideais educativos na máxima: "Ensinar
tudo a todos", e que para ele (1997, p.95), significava os fundamentos, os
princípios que permitiriam ao homem se colocar no mundo não apenas como
espectador, mas, acima de tudo, como ator.
O objetivo central da educação
comeniana era formar o bom cristão, o que deveria ser sábio nos pensamentos,
dotado de verdadeira fé em Deus e capaz de praticar ações virtuosas,
estendendo-se à todos: os pobres, os portadores de deficiências, os ricos, às
mulheres.
Suas concepções teóricas
apresentavam consistência na articulação entre suas diversas facetas: do
filosófico ao religioso, passando pela organização e divulgação do saber, pelo
processo educativo de todos, e pela reforma da sociedade; mas, nem por isso
pode garantir que fossem postas em prática de uma maneira mais ampla ou que
obtivessem à sua época um maior reconhecimento de seus pressupostos inovadores;
logicamente no contexto histórico da época e também da trajetória de vida do
autor.
Não podemos desvincular o que uma
pessoa faz, da sua filosofia de vida, seus ideais, sonhos, frustrações e
experiências. Sua obra deve ser analisada no contexto em que surgiu: o
Renascimento e a Reforma religiosa.
No que diz respeito à Educação o
ideal pansófico evidencia-se no desejo e possibilidades de ensinar tudo e
todos. Esta necessidade se forjava e se sustentava na crença de que Deus, em
sua infinita bondade, colocara a redenção ao alcance da maioria dos seres
humanos, mas para tanto era necessário educá-los convenientemente.
Dizendo em outras palavras, para
o autor, negar oportunidades educacionais era antes ofender a Deus do que aos
homens.
A Pansophia constitui uma forma
de organização do saber, um projeto educativo e um ideal de vida.
Para que se obtenha esse ideal o
processo a ser desenvolvido é a Pampaedia , ou educação universal através da
qual se conseguirá a reforma global das "coisas humanas" e um mundo
perfeito ou Panorthosia.
Comenius aponta como necessária a
constante busca do desenvolvimento do indivíduo e do grupo, pois um melhor
conhecimento de si mesmo e uma melhor capacidade de autocrítica levam a uma
melhor vida social, assim como deve haver a solidez moral que pode ser
conseguida por meio da educação. Para ele, didática é ao mesmo tempo processo e
tratado. É tanto o ato de ensinar como a arte de ensinar.
A arte de ensinar é sublime pois
destina-se a formar o homem, é uma ação do professor no aluno, tornando-o
diferente do que era antes. Ensinar pressupõe conteúdo a ser transmitido, e
eles são postos pela própria natureza: são a instrução, a moral e a religião.
O conhecimento que temos da
natureza serve de modelo para a exploração e conhecimento de nós próprios.
Mas não é a natureza
"natural" o exemplo a ser imitado, mas a natureza "social".
Sua proposta pedagógica dirige-se
sobretudo à razão humana, convocando-a a assumir uma atitude de pesquisa diante
do universo e de visão integrada das coisas. Pretendia que o homem deve ser
educado com vistas à eternidade, pois, sendo Espírito imortal, sua educação
deveria transcender a mera realização terrena.
Salientava a importância da
educação formal de crianças pequenas e preconizou a criação de escolas maternais
por toda parte, pois deste modo as crianças teriam oportunidades de adquirir
desde cedo as noções elementares das ciências que estudariam mais tarde.
Comenius defendia a idéia de que
a aprendizagem se iniciava pelos sentidos pois as impressões sensoriais obtidas
através da experiência com objetos seriam internalizadas e, mais tarde,
interpretadas pela razão.
Seu método didático constituiu-se
basicamente de três elementos: compreensão, retenção e práticas. Através delas
se pode chegar a três qualidades fundamentais: erudição, virtude e religião, a
quais correspondem três faculdades que é preciso adquirir: intelecto, vontade e
memória.
O método deve seguir os seguintes
momentos:
tudo o que se deve saber deve ser
ensinado;
qualquer coisa que se ensine deverá
ser ensinada em sua aplicação prática, no seu uso definido;
deve ensinar-se de maneira direta
e clara;
ensinar a verdadeira natureza das
coisas, partindo de suas causas;
explicar primeiro os princípios
gerais;
ensinar as coisas em seu devido
tempo;
não abandonar nenhum assunto até
sua perfeita compreensão;
dar a devida importância às
diferenças que existem entre as coisas.
A obra de Comenius constitui-se
num paradigma do saber sobre a educação da infância e da juventude, através de
uma "nova tecnologia social": a escola.
A Didática Magna apresenta as
características fundamentais da instituição escolar moderna.
Entre elas podemos apontar: a
construção da infância moderna já como forma da uma pedagogização dessa
infância por meio da escolaridade formal; uma aliança entre a família e a
escola por meio da qual a criança vai se soltando a influência da órbita
familiar para a órbita escolar; uma forma de organização da transmissão dos
saberes baseada no método de instrução simultânea, agrupando-se os alunos e,
não menos importante, a construção de um lugar de educador, de mestre,
reservado para o adulto portador de um saber legítimo.
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